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A Expansão Portuguesa

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A expansão portuguesa constituiu um fenómeno histórico de grande diversidade e de muito maior heterogeneidade do que a espanhola. Teve lugar à escala de três oceanos e três continentes, onde as condições geográficas, sociais, económicas e políticas eram muito mais variadas, conferindo-­lhe desde o início uma imensa complexidade.

As crónicas da época, no entanto, não permitem divisar isso de modo claro por diversas razões. Primeiro, os cronistas limitam-­se, frequentemente, a consignar a expansão oficial (a sua vertente imperial) e, nesse contexto, sobretudo os feitos de guerra, negligenciando outras modalidades de expansão. Em segundo lugar, os cronistas evitam, em regra, mencionar as lutas na corte de diferentes partidos e as políticas muitas vezes contraditórias que preconizavam.

Além disso, coíbem­-se de mencionar a sua frequente oposi­ção à política adoptada pelo Rei, criando com tais omissões uma imagem de unidade de objectivos na realidade enganadora. Por fim, de um modo geral, as crónicas dão escassa atenção a projectos abortados.

Os projectos fracassados e os êxitos fortuitos repõem a dimensão humana dos ideólogos e dirigentes de antanho; se os ignorarmos, os seus artesãos parecem transcender a natureza humana e transformam-­se em super­-homens dotados de uma visão profética e praticamente infalível do futuro o que, na realidade, só raras vezes ocorreu.

Este livro é uma tentativa de os reduzir às suas reais dimensões e de escrever a história das massas e não apenas a das suas figuras de proa; e, ao mesmo tempo, de situar o fenómeno expansionista português, em cada uma das suas múltiplas vertentes, no seu contexto geográfico, político e cultural.

Fruto de uma conferência proferida na Universidad de los Andes, este livro foi originalmente redigido em castelhano, tendo sido depois publicado em francês.

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China: O socialismo do século XXI

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Escrito para o público geral, o livro China: o socialismo do século XXI é um meticuloso trabalho teórico e estatístico de Elias Jabbour e Alberto Gabriele. A obra analisa a República Popular da China, gigante que se tornou, nas últimas duas décadas, a locomotiva do sistema econômico mundial. Afinal, o que é o socialismo chinês? É possível afirmar que difere do capitalismo tal qual o conhecemos até aqui, embora ainda seja prematuro defini-lo como alternativa consolidada. Com uma postura crítica, os autores não desconsideram a complexidade da China e fogem de preconceitos ideológicos como enquadrar o país como mais um fracasso socialista ou, na via oposta, como um paraíso do comunismo realizado. Oferecem ao leitor uma abordagem materialista, que analisa a peculiaridade das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento/projetamento vigentes no país. Tudo isso para apontar seu papel crucial como alternativa realista à anarquia do capital. A obra apresenta um país que conseguiu, durante décadas, alcançar uma das taxas de crescimentos mais estáveis da história, passando de um dos mais pobres do mundo a segunda economia do planeta e que possui vasta base industrial e científica, sem ignorar que o sistema socioeconômico chinês também carrega contradições sérias que precisam ser analisadas e criticadas. Silvio Almeida, que assina a quarta capa, afirma que “o livro de Elias Jabbour e Alberto Gabriele é um trabalho corajoso. E aqui não se trata de exaltar um aspecto moral, externo à obra. A coragem a que me refiro é um atributo essencial às grandes empreitadas intelectuais que objetivam iniciar um debate público e orientado pela ciência em torno de temas fundamentais. É com esse propósito que os autores enfrentam o desafio de analisar a formação econômico-social da China e os sentidos do socialismo. É um livro que tende a tornar-se ponto incontornável nas discussões sobre as singularidades da economia chinesa e, por consequência, das possibilidades de ressignificação do socialismo”. Já Luiz Gonzaga Belluzzo escreve “este livro, magnificamente organizado e escrito por Elias Jabbour e Alberto Gabriele, gratificará o leitor com os sabores incomparáveis da aventura intelectual. Na vida do conhecimento e da compreensão da sociedade e da economia devemos sempre almejar à desconstrução do estabelecido e buscar os desafios do novo que nasce do movimento dos homens e de suas relações. É isso o que nos oferecem Jabbour e Gabriele. A aventura dos autores empenha-se em descobrir no socialismo da China a construção de uma nova formação econômica e social que instiga a perplexidade dos conformistas que não se cansam de indagar: Capitalismo de Estado ou Socialismo de Mercado?”

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Destinados à Guerra

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A CHINA E OS ESTADOS UNIDOS RUMAM PARA UM NOVO CONFLITO…

A razão é a Armadilha de Tucídides, um padrão mortal de stress estrutural que ocorre quando um poder em ascensão desafia um governante. Este fenómeno é tão antigo quanto a própria história. Sobre a Guerra do Peloponeso que devastou a Grécia antiga, o historiador Tucídides explicou: “Foi a ascensão de Atenas e o medo que isso instilou em Esparta que tornou a guerra inevitável”. Nos últimos 500 anos, essas condições ocorreram dezasseis vezes e houve guerra em doze desses casos. Hoje, uma China imparável que se aproxima de uma América imóvel, parece anunciar o décimo sétimo caso.

A menos que a China esteja disposta a reduzir suas ambições ou Washington aceite tornar-se o número dois no Pacífico, um conflito comercial, um ataque cibernético ou um acidente no mar podem em breve transformar-se num novo conflito mundial. Em Destined for War, o eminente especialista de Harvard Graham Allison explica como a armadilha de Tucídides é a melhor lente para entender as relações EUA-China no século XXI. Através de estranhos paralelos históricos e cenários de guerra, o autor mostra o quão perto estamos do impensável.

No entanto, enfatiza que a guerra não é inevitável,  Allison também revela como potências conflituosas mantiveram a paz no passado – e quais os passos dolorosos que os Estados Unidos e a China devem dar para evitar o desastre hoje.

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Dez Lições para Um Mundo Pós-Pandemia

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A 25 de Junho de 2017, quase três anos antes da pande­mia, Fareed Zakaria teceu a seguinte previsão no seu programa televisivo na CNN:  «Uma das maiores ameaças que os Estados Unidos têm de enfrentar não é, de todo, grande. Na verdade, é minúscula, microscópica, dezenas de vezes mais pequena do que a cabe­ça de um alfinete. Patogénicos mortíferos, quer produzidos pelo homem quer naturais, podem desencadear uma crise de saúde global e [nós] não estamos nada preparados para lidar com isso. […] As nossas cidades a abarrotar, as guerras, os desastres naturais e as viagens aéreas internacionais po­dem levar a que um vírus mortal com origem numa pequena aldeia em África seja transmitido e chegue a todo o mundo em apenas 24 horas […]. A biossegurança e as pandemias glo­bais ultrapassam todas as fronteiras nacionais. Os agentes patogénicos, os vírus e as doenças são igualmente assassi­nos. Quando a crise estalar, vamos desejar ter mais fundos e uma maior cooperação global. Mas, nessa altura, talvez seja demasiado tarde.»